domingo, 22 de janeiro de 2012

DAS PÁGINAS PARA AS TELONAS

Nos últimos meses, as salas de cinema estavam recheadas de adaptações de histórias em quadrinhos. Umas cumpriram sua proposta, outras nem tanto assim. Capitão América: O Primeiro Vingador, Thor e Lanterna Verde estão entre os escolhidos.

Lanterna Verde era uma das maiores apostas da DC Comics e Warner Bros. Eles queriam pegar um personagem não tão popular a nível de Batman e Superman e fazer dinheiro nas bilheterias como foi o caso de Homem de Ferro pela Marvel. Entretanto, o resultado não foi bem assim.

O filme cai no caricato, o protagonista é retratado de forma engraçada o que foge dos padrões dos comics. Talvez, foi uma forma de popularizar a trama. Com isso, Ryan Reynolds dá vida a um Hal Jordan vazio. Ele fica longe do planeta Oa, mal recebe treinamento e doutrinas dos outros guardiões do universo.

A única pessoa que faz com que Hal confie no anel e em si mesmo é Carol Ferris (Blake Lively) uma personagem secundária que não ganha força em nenhuma das cenas. O vilão Paralax é mal resolvido. Dá a impressão que o próprio filme não confia em si mesmo. Uma dos fatores principais para esse resultado é o trabalho do diretor Martin Campbell, que estava mais interessado no dinheiro do que desenvolver uma trama competente. O ponto positivo fica por conta das imagens que ganharam texturas e cores vivas na representação do mundo dos lanternas verdes.

Thor tem uma trama melhor amarrada. A escolha de Anthony Hopkins como Odin dá credibilidade para o longa. O mundo de Asgard é retratado de forma primorosa com seus figurinos, o dourado dos palácios, as luzes. Essa era uma das maiores preocupações do filme, acertar na disposição de um dos universos complexos da Marvel. Não tem como não tirar o chapéu com as cenas de luta com Thor (Chris Hemsworth) e seu martelo Mjolnir.

Apesar de ter acertado na primeira parte, o diretor Kenneth Branagh deixa a desejar quando sai dos momentos de fábulas e vai de encontro com o mundo real. O filme cai com personagens fracos, além dos diálogos desinteressantes, principalmente com a equipe de cientistas que inclui Jane Foster (Natalie Portman). Outro detalhe importante é o constante uso do ângulo holandês.

Capitão América: O Primeiro Vingador é o que melhor desempenha sua proposta. Como pano de fundo, o longa tem a Segunda Guerra Mundial, onde um jovem franzino chamado Steve Rogers tenta se alistar, porém seu estado físico se torna um empecilho. O clima lembra os filmes de guerra de Steven Spielberg, característica enfatizada com a trilha sonora composta por John Williams.

A tecnologia de O Curioso Caso de Benjamin Button foi bem escolhida para o ‘Pequeno’ Steve. Todavia, quando ele recebe o supersoro, o destino reserva outro futuro para o protagonista. Stanley Tucci dá carisma ao Dr. Abraham Erskine e Tommy Lee Jones coloca tons cômicos e divertidos com as falas do General Chester Phillip. Chris Evans consegue fugir do tom Tocha Humana dos filmes do Quarteto fantástico.

O Caveira Vermelha é bem desempenhado por Hugo Weaving. O líder da Hidra, parte tecnológica dos nazistas, bem que poderia ganhar cenas com mais ação no embate contra o personagem principal.

Dentre os filmes do gênero, Capitão América: O Primeiro Vingador é o melhor. Conseguiu se destacar e não ficar com cara de apenas ‘filme dos EUA’, principalmente em uma época antiamericana proporcionada pelas guerras no Afeganistão e Iraque.

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